EUA E TRUMP: PERDIERON LA TERNURA

Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.”

Ernesto Che Guevara

 

 

É desalentador o que ocorre no mundo inteiro com as decisões criminosas por parte dos EUA, especialmente do estranho e decrépito presidente Trump. O povo americano sempre foi, em regra, voltado apenas a si mesmo, além de desinformado e tosco. Mas existia certa regra internacional que delimitava, ou, às vezes, demarcava, os abusos intervencionistas e megalomaníacos do poder de Washington. Ainda que tenhamos presenciado, ao longo dos últimos tempos, muitas invasões a outros países, os EUA tentavam, de alguma maneira, anunciar as ações temerárias como parte de uma estratégia para manter a paz. Agora, despiram as máscaras. É a guerra de dominação. O fim do direito internacional. A força pela força e pelo objetivo econômico. Não existem mais desculpas a serem dadas. É a barbárie institucionalizada.

 

 

Quando o Brasil enfrentou os golpistas de 8 de janeiro e os submeteu a um julgamento público pelo Supremo Tribunal, com a condenação e a prisão dos líderes, inclusive do ex-presidente Bolsonaro, o país deu uma demonstração ao mundo de civilidade e maturidade institucional. Enquanto isso, nos EUA, o povo americano elegia o chefe do golpe do Capitólio. Era o sinal do vale-tudo institucionalizado. Não apenas a submissão dos poderes constituídos ao jugo do presidente Trump, mas também uma carta branca para os delírios golpistas muito além das fronteiras do país. A corrida armamentista e colonizadora não encontra limites.

 

Até mesmo criar um Conselho, sob o completo controle norte-americano, para substituir e desmoralizar a ONU, foi efetivado. Em um misto de megalomania, demência, prepotência, arrogância e para fugir de um impeachment decorrente do caso Epstein no caso da pedofilia, o presidente Trump se autointitulou imperador do mundo. As invasões armadas, as mortes generalizadas de civis, de mulheres e de crianças e o controle dos mares, tudo descamba para uma desordem geral. Vez ou outra, os EUA erram a mão e encontram alguma resistência, mas nada que não signifique, ao fim e ao cabo, um massacre do país invadido, com a morte de milhares de inocentes. As declarações do Trump são cada vez mais delirantes e desencontradas. Como não tem interlocutor, ele fala o que quer. Parece que o mundo capitulou e a barbárie é a regra.

 

A última manifestação de Trump, dizendo, em tom de galhofa – mas é sério, que vai ter “a honra de tomar Cuba” e que fará lá “o quiser”, é estarrecedora. Durante décadas, submeteram Cuba e o povo cubano a um isolamento criminoso e cruel. Desumano. Um embargo assassino. Mataram um povo de fome e estrangularam um país. Agora, depois de constatarem que o país está em frangalhos, desdenham do povo cubano e dizem que é fácil dominá-lo, pois ele está “fraquinho.” É a constatação inequívoca da força pela força, do desprezo ao direito internacional e do fim de qualquer réstia de humanidade.

 

Farão de Cuba uma praia de luxo para os ricos norte-americanos. Um resort parecido com a ideia que projetaram para Gaza. Em Cuba, o ataque poderá ser por terra, frustrados por não poderem invadir o Irã por terra, devido às condições do país. Vão vingar a derrota na Baía dos Porcos de 1961, quando um grupo paramilitar treinado pela CIA, com apoio das Forças Armadas dos EUA, fracassou ao tentar derrubar Fidel Castro. Cuba sempre habitou o imaginário popular de muitas gerações, inclusive da minha juventude, como exemplo de um povo altivo, resistente, íntegro.

 

Quando os EUA estiverem liquidando o povo cubano, já esgotado pelo embargo assassino, é importante observar a reação das pessoas. Com essa invasão, morrerá um pouco do que há de humano em cada um de nós. Em cada um que ainda resiste e acredita que é possível vencer a barbárie desenfreada. Talvez só nos reste sofrer com o povo cubano e esperar que os excessos desse imperador do mundo despertem o sentimento da necessidade de resistência. É o que nos resta diante do império da força.

 

Lembrando-nos de Fidel Castro:

 

“As bombas podem matar os famintos, os doentes, os ignorantes, mas não podem matar a fome, as doenças, a ignorância.”

 

 

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay

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