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Vida e liberdade, por Kakay
“Não há refúgio, e o terror aumenta. É tal e qual o drama aqui na sala: A luz da tarde em agonia lenta, E a maciça negrura a devorá-la. Dor deste tempo atroz, sem refrigério, Eis os degraus do inferno que nos restam: Morrer e apodrecer no cemitério onde fantasmas, como eu, protestam.” Miguel Torga…
Leia MaisOlhar que abraça, por Kakay
“A meio caminho entre a fé e a crítica está a estalagem da razão. A razão é a fé no que se pode compreender sem fé; mas é uma fé ainda, porque compreender envolve pressupor que há qualquer coisa compreensível.” Fernando Pessoa, Livro do Desassossego Eu sempre imaginei um mundo onde ser solidário seria…
Leia MaisMatriz e filial, por Kakay
“Bates-me e ameaças-me, agora que levantei minha cabeça esclarecida e gritei: ‘Basta’! Armas-me grades e queres crucificar-me agora que rasguei a venda cor de rosa e gritei: ‘Basta’! … Esvazia-me os olhos e condena-me à escuridão eterna… -que eu, mais do que nunca, ;dos limos da alma, me erguerei lúcida, bramindo contra tudo: Basta! Basta!…
Leia MaisA falta do abraço, por Kakay
“Saio de meu poema como quem lava as mãos. Algumas conchas tornaram-se, que o sol da atenção cristalizou; alguma palavra que desabrochei, como a um pássaro. Talvez alguma concha dessas (ou pássaro) lembre, côncava, o corpo do gesto extinto que o ar já preencheu; talvez como a camisa vazia, que despi. Esta folha branca me…
Leia MaisIlusão e solidariedade, por Kakay
“Feliz, feliz Natal, que nos traz de volta as ilusões da infância, recorda ao idoso os prazeres da juventude e transporta o viajante de volta à própria lareira e à tranquilidade de seu lar.” Charles Dickens O Natal, para mim, sempre foi uma data triste. Ainda menino, na minha pequena cidade de Minas, as…
Leia MaisOusadia e esperança, por Kakay
“Quando a escuridão é espessa e não se escapa entre os dedos gosto de apanhar uma mancheia e levar até a luz para ver melhor Regresso feliz de mãos vazias a escuridão afinal não é a tempestade fatal o abismo medonho a avalanche final é apenas o que não se pode ver.” – Boaventura Souza…
Leia MaisResistência lírica, por Kakay
“Noturno sou, mas sem noite. A grade já não mais me prende a morada: a treva sou eu, o escuro morreu. Eis o meu segredo: todas as noites me deito num livro para em outra vida desaguar. Rio escapando da margem, margem escarpando um rio. … Agora, meu ouro é a palavra. Agora, a poesia…
Leia MaisAngústia existencial, por Kakay
“O homem lúcido me espanta Mas gosto dele na lírica. A verdade metafísica Modela o verbo e a garganta. O homem lúcido verifica Que a existência não se estanca Põe a baba ao pé da planta Eis que a planta frutifica. O homem lúcido como quer Seja lá onde estiver Ele está, sem aquarela. Sabe…
Leia MaisIndiferença assassina, por Kakay
“Bates-me e ameaças-me agora que levantei minha cabeça esclarecida e gritei: “Basta!” … Condenas- me à escuridão eterna agora que minha alma de África se iluminou e descobriu o ludibrio… E gritei, mil vezes gritei: “Basta!” … Vem com teu cassetete e tuas ameaças, fecha-me com tuas grades e crucifixa- me, traz seus instrumentos de…
Leia MaisRaiva libertadora, por Kakay
“Pelo que esperam? Que os surdos se deixem convencer E que os insaciáveis devolvam-lhes algo? Os lobos os alimentarão, em vez de devora-los! Por amizade Os tigres convidarão A lhes arrancarem os dentes! É por isso que esperam!” Bertolt Brecht É interessante notar que, muitas vezes, passamos a vida inteira sem refletir sobre certas verdades…
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