Artigos

A novena e o capitão, por Kakay

“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? … Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço desta lucidez?” Clarice Lispector…

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Escrever: a resistência necessária

“Quem faz um poema abre uma janela. Respira, tu que estás numa cela abafada, este ar que entra por ela. Por isto é que os poemas têm ritmo, para que possas profundamente respirar. Quem faz um poema salva um afogado.” Mário Quintana   Escrever é um ato de resistência. Quando as nuvens se tornam mais…

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Extermínio: cumplicidade mórbida, por Kakay

“Não enterres, coveiro, o meu Passado, Tem pena dessas cinzas que ficaram; Eu vivo d’essas crenças Que passaram, E quero sempre tê-las ao meu lado! … Aí! não me arranques d’alma este conforto! Quero abraçar o meu Passado morto Dizer adeus aos sonhos meus perdidos!” Augusto dos Anjos   A tal Operação Lava Jato, coordenada…

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A vacina ou a vida, por Kakay

“Morrer como quem desagua sem mar e, num derradeiro relance, olha o mundo como se ainda o pudesse amar. Morrer depois de me despedir das palavras, uma a uma. E no final, descontada a lágrima, restar uma única certeza: não há morte que baste para se deixar de viver.” Mia Couto, Aprendiz de ausências  …

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Com a palavra, o MP e o Supremo, por Kakay

“Bate-me à porta, em mim, primeiro devagar. Sempre devagar, desde o começo, mas ressoando depois, ressoando violentamente pelos corredores e paredes e pátios desta própria casa que eu sou. Que eu serei até não sei quando. É uma doce pancada à porta, alguma coisa que desfaz e refaz um homem…” Herberto Helder, poemas completos.  …

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Cortina de fumaça, por Kakay

“Assim eu quereria o meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza das chamas em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem…

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Santo hacker, por Kakay

“Nada me pesa tanto no desgosto como as palavras sociais de moral. Já a palavra ‘dever’ é para mim desagradável como um intruso. Mas os termos ‘dever cívico’, ‘solidariedade’, ‘humanitarismo’, e outros da mesma estirpe, repugnam-me como porcarias que despejassem sobre mim de janelas. Sinto-me ofendido com a suposição, que alguém porventura faça, de que…

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Trama revelada, por Kakay

“Tenho ódio à luz e raiva à claridade Do sol, alegre, quente, na subida Parece que a minh’alma é perseguida Por um carrasco cheio de maldade! … Eu não gosto do sol, eu tenho medo Que me leiam nos olhos o segredo…” A minha tragédia Florbela Espanca   Alguma coisa está mesmo fora da ordem.…

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A hora e a vez do Congresso, por Kakay

“O pasmo que me causa a minha capacidade para a angústia. Não sendo, de natureza, um metafísico, tenho passado dias de angústia aguda, física mesmo, com a indecisão dos problemas metafísicos … … Nenhum problema tem solução. Nenhum de nós desata o nó górdio; todos nós ou desistimos ou o cortamos. ” Fernando Pessoa, O…

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