SENADOR FUJÃO E ENTREGUISTA

A fuga milionária, vexatória e criminosa do senador derrotado revela muito mais do que a covardia e a falta de espírito democrático e de respeito aos inacreditáveis 59.826.041 de brasileiros, 48,21%, que votaram nele para a Presidência da República. Na realidade, ela escancarou a quem este grupo de extrema-direita deve satisfação e pretendia abrir as portas do Brasil, entregando o país aos EUA.

 

É importante ressaltar que a dinâmica da operação, milionária e complexa, põe por terra os argumentos pueris da perseguição política e as críticas à decisão do ministro Alexandre de Moraes, que, atendendo a um pedido da Polícia Federal, determinou a apreensão dos passaportes do político covarde e fujão.

 

Pela caríssima e dificílima operação, que envolveu um jato Gulfstream G400 – só o aluguel custou quase R$ 1 milhão, pago por um intermediário a partir dos EUA -, além de autoridades da Argentina e dos EUA. Há uma investigação sobre o fato de que autoridades dos EUA mantiveram, de maneira abusiva, o Aeroporto de Puerto Iguazú sob controle. Tudo comprova que houve planejamento prévio e que a Polícia Federal agiu com presteza e inteligência ao solicitar a apreensão dos passaportes.

 

As críticas ao ministro Alexandre de Moraes, outra vez, se dão mais pelos seus acertos do que por eventuais erros. E elas sempre vêm do grupo que defendeu a tentativa de golpe e agora quer anistiar o presidiário Bolsonaro.

 

O senador fujão deve muitas explicações ao povo brasileiro. Inclusive, saiu do país sem comunicação formal ao Senado e sem data de retorno. Não é correto que ele continue recebendo o subsídio mensal bruto de R$ 46.366,19 e verbas de gabinete em torno de R$ 345 mil para contratar assessores, auxílio-moradia, a melhor assistência de saúde — SIS —, carro oficial e todas as benesses do dia a dia do Congresso.

 

O custo estimado é de cerca de R$ 400 mil mensais. Ainda que, para ele, esse seja um “dinheiro de pinga”, pois ele ficou bilionário na vida pública e tem os milhões do Vorcaro que foram enviados aos EUA – onde ele estará com o seu irmão foragido, que já perdeu o cargo de deputado -, penso ser simbólico impedir que ele continue recebendo dos cofres públicos enquanto articula e trabalha nos EUA contra os interesses do Brasil. É tudo uma vergonha.

 

A expectativa é que se refugie nos EUA para tentar vender o Brasil aos que ele deve subserviência. As promessas ele já fez ao longo da campanha: entregar a soberania nacional, dividir o poder com os EUA, entregar os minerais e as terras raras, privatizar tudo; enfim, entregar o Brasil.

 

Mas anotem: a partir de fevereiro ele não será mais senador. Perde a imunidade, que era o que ele buscava na eleição, embora não perca o foro no Supremo por atos praticados durante o mandato. Só os fatos posteriores irão para a primeira instância. Como venho escrevendo, logo ele estará em prisão familiar, junto com seu pai e irmão. E com a companhia luxuosa do seu sócio e advogado.

 

O Brasil, que já respira melhor depois do segundo turno, agradece. Remeto-me a Pessoa no Livro do Desassossego:

 

“A meio caminho entre a fé e a crítica está a estalagem da razão. A razão é a fé no que se pode compreender sem fé; mas é uma fé ainda, porque compreender envolve pressupor que há qualquer coisa compreensível.”

 

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kaka

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