TRUMP: UM PODER SEM LIMITES?

O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente.”

Lord Acton

 

O desenrolar dos fatos que vêm a público sobre a invasão a Caracas para sequestrar o ditador Maduro, então Presidente da Venezuela, gera muita perplexidade e preocupação. É claro que apenas uma pequena parte do golpe foi divulgada. Mas há um lado que não se pode ocultar: a operação, batizada de Resolução Absoluta, exigiu uma enorme e ostensiva movimentação de tropas, porta-aviões, submarinos, helicópteros, mais de 150 aeronaves, forças de elite como a Delta Force e a fanfarronice do estranho Presidente dos EUA. Parece uma caricatura, mas é real e perigoso.

 

Cada vez mais aparecem detalhes dessa trama em que o sequestrador vaza parte do que ocorreu para demonstrar força e dar uma espécie de “exemplo” do que é capaz de fazer. E se espalham, como um rastilho de pólvora, especulações sobre quem foi aliciado para assegurar o êxito da operação. Numa Ditadura de generais, a corrupção arraigada facilita muito a cooptação de pessoas que mudam de lado pelo poder e pelo dinheiro.

 

Esses vazamentos controlados parecem fazer parte do plano para mostrar o poder. E há um exibicionismo incontrolável por parte do grupo mais próximo do Presidente Trump. Não podemos nos esquecer de que, nesse sequestro de um presidente de um país soberano, com invasão armada no território venezuelano, o próprio Congresso dos EUA foi, ostensivamente, vítima.

 

A ação deveria ter sido aprovada pelo Congresso. A explicação da Casa Branca de que não poderia fazer a consulta ao Congresso, por haver vazamento, é um acinte. Uma das várias manifestações que consolida a ideia de que não há Democracia nos EUA. O poder é exercido sem limites. A Constituição é um detalhe a ser usado conforme a conveniência do apetite de poder do grupo do Trump. Todo poder exercido sem controle tende a afastar, cada vez mais, os mecanismos de contenção. É o que se percebe nesta quadra preocupante da sanha de dominação norte-americana.

 

O próprio argumento, usado como desculpa para o sequestro, de que Maduro seria o líder de um grupo de narcotraficantes, o Cártel de los Soles, já foi simplesmente deixado de lado. O Departamento de Justiça dos EUA já reescreveu a acusação e recuou nesse ponto. Depois do “sucesso” na criminosa invasão, tornou-se desnecessária qualquer justificativa. É a força pela força. Pelo poder. E é aí que o mundo deve colocar as barbas de molho. Sem necessidade de consultar o Congresso, sem qualquer controle democrático, há uma preocupação natural com os caminhos da prepotência de Trump.

 

Depois de assumir, vergonhosamente, mas com empáfia e orgulho, que o objetivo do sequestro foi o petróleo, o Presidente Trump e seu entorno emitem diversos sinais sobre o que poderá vir a curto prazo.

 

De maneira direta e sem rodeios, o presidente norte-americano trouxe a Groenlândia, outra vez, ao centro da disputa geopolítica. A Dinamarca, que ainda detém a soberania sobre a Groenlândia, já foi avisada de que a ilha é uma prioridade de segurança nacional para os EUA. Em um comunicado oficial ousado, o governo Trump informou que está discutindo opções para “adquirir” a ilha. E, expressamente, ameaça que “utilizar as forças armadas é sempre uma opção à disposição do comandante-chefe”. Não há mais nenhum disfarce nem pudor. Além da localização estratégica da ilha, que abriga, desde 1951, a Base Aérea de Thule, uma instalação militar dos Estados Unidos da América mais ao norte do planeta, sendo um espaço fundamental para monitorar o espaço aéreo no Hemisfério Norte, há interesse econômico nas reservas de minerais críticos. Alguns dominados pela China, o que desperta ainda mais o interesse dos EUA.

 

É importante ressaltar que, logo após sequestrar Nicolás Maduro, o Presidente Trump ameaçou, direta e claramente, o Presidente Gustavo Petro, da Colômbia, afirmando que estudava uma outra ação militar, pois o “país está doente e é administrado por um homem doente”. O que parece mais uma birra de um menino mimado, na verdade, torna-se uma intimidação à segurança de um país independente como a Colômbia, quando esse “menino mimado” é o presidente de uma potência como os EUA.

 

Por tudo isso, cresce a urgência de acompanhar os passos dos ultradireitistas brasileiros, ávidos por entregar o Brasil aos norte-americanos. Depois de derrotados nas urnas e na Justiça, inclusive com as prisões dos líderes da organização criminosa golpista, o que resta a esse bando é tentar entregar o país em troca da volta ao poder. Ou, pelo menos, de uma tentativa de escapar da força do Judiciário. Com a aproximação das eleições, é necessário estarmos atentos. Esse grupo de entreguistas tentará colocar o Brasil na linha de interesses do governo norte-americano. Na realidade, já há evidências de que essa é uma estratégia em que os bolsonaristas estão investindo. Resta gritar o grito de guerra antifascista, originado na Guerra Civil Espanhola: “No pasarán!”.

 

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay

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